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segunda-feira, junho 25, 2012

O Pecado

Da casa grande ao galpão
Entre a quinta e o arvoredo
Harmonizaram um segredo
Contrariando a razão
O amor negou o fato
De o domador ser mulato
E ela filha do patrão
No passo da primavera
O pecado escondido
Avolumou o vestido
Da sianinha linda flor
Movido pela desonra
Três almas foram compradas
E na boca da picada
Atocaiaram o domador
(refrão)
Negou render-se ao silêncio
Reafirmando a palavra
Pulsiando o cabo da adaga
Peleando com os três mandados
E o patrão ali plantado
Quando o mulato tombou
Lastimado murmurou
Que a morte seja bem vinda
Pois não tem morte mais linda,
Do que morrer por amor

O sopro do fim de tarde
O vento parece dedos
Acariciando em sossego
A melena do pecado
Brincando sempre calado
Na sombra do arvoredo
Parece ouvir segredos
Que o tempo nunca contou
E nem ele faz esquecer
Da sombra do mesmo ipê
Que a sianinha se enforcou

Jairo Lambari Fernandes

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